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Archive for março \08\UTC 2012

Viva Essa Diferença!

O Dia Internacional da Mulher, mais que um dia de celebrar conquistas, é, de fato, momento para uma oportuna reflexão sobre a situação da mulher: sua verdade histórica, sua realidade, direitos e necessidades e, sobretudo, seu futuro. É dia para repensar conceitos e organizar a mudança deles, em benefício da mulher e, conseqüentemente, de toda a sociedade.

A mulher, em busca de seus direitos, chega ao dias de hoje inserida no mercado de trabalho, desempenhando papéis de liderança e poder em empresas, organizações e nações. Rompendo com séculos de opressão social, econômica e cultural, vem conquistando seus espaços e mudando o seu papel na família e na sociedade. São 38 milhões de mulheres que representam quase a metade da população economicamente ativa do nosso país e constituem um terço dos chefes de família. Porém, é preciso avançar bem mais e há, ainda, uma dura realidade a ser enfrentada.

Ao longo da sua vida persistem as discriminações e desigualdades sociais e, pior ainda, continuam sendo vítimas da violência de gênero. Mais do que um problema social e de saúde pública, a violência contra as mulheres é um dos maiores desafios a ser vencido. Do nascimento à morte, crianças, adultas ou idosas, haja guerra ou paz, um universo de mulheres vêm enfrentando discriminação e violência nas mãos do governo, da comunidade e de suas próprias famílias.

Estima-se que a quarta parte das mulheres brasileiras sejam vítimas constantes de violência no lar. De cada quatro assassinatos de mulheres, três deles são cometidos por homens que privavam de sua intimidade, tais como maridos, companheiros ou parentes próximos, como pai, tio ou irmão. Apesar destes números refletirem apenas uma décima parte da nossa realidade, atingimos o absurdo de que a cada 15 segundos uma mulher é agredida, isto é, a cada dia 5.760 mulheres sofrem violência no Brasil.

Consciente de que a mulher ainda não tem o seu direito à vida respeitado e que essa é uma questão universal, a Anistia Internacional lançou em março de 2004 a campanha “Não à Violência Contra a Mulher – A Solução Está em Nossas Mãos”, elaborada para mobilizar tanto homens quanto mulheres nessa luta, convocando assim a todos – o Estado, a comunidade e os indivíduos – para que assumam suas responsabilidades e ajam contra esta escandalosa violação dos direitos humanos.

A entrada em vigor, desde setembro de 2006, da lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, a “Lei Maria da Penha”, apesar do avanço que representa, não é o bastante. O poder público deve desenvolver políticas mais abrangentes que resguardem a mulher da negligência, discriminação, exploração, violência e crueldade, em todas as suas formas de expressão. Além de algemar as mãos que agridem, urge que se confrontem os preconceitos e crenças sociais que protegem e reforçam essa violência.

Seria o ideal que, em cada 8 de março, menos mulheres se reúnam ao redor de xícaras de chás e taças de champanhe e mais delas elevem a sua voz e o seu enorme poder de construção da nossa sociedade, em busca da igualdade de direitos, da independência e autonomia, assim como do respeito que lhes estão sendo negados. Claro que as mulheres devam ser lembradas de forma especial neste dia, entretanto não nos esqueçamos de que isto não ameniza em nada a dor e a cruel realidade de outras milhões ao nosso redor.Evas, Amélias e Marias, da Penha ou não, ainda carecem do mínimo de dignidade e sonham em se libertar dos maus-tratos psicológicos, das ameaças e humilhações, dos espancamentos e cárceres privados. Que os padrões de comportamento sejam mudados e que a mulher possa viver o direito a uma vida diferente, livre de assédios e agressões.

E viva essa diferença!.

Tavinho Caúmo

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Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 09 de março de 2007, e no boletim “Tribuna Literária”, na edição nº 66, de março de 2007. 

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