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Archive for 12 de julho de 2010

Polvo profeta, polvo feliz!

Ainda que muitos me aconselhem o contrário, sigo um apaixonado por futebol. E quem sofre desse mal, é evidente que adora Copa do Mundo.

Uns anões andaram falando por aí que Copa do Mundo não é momento de mostrar bom futebol, mas sim de vencer. Após assistir aos 64 jogos propiciados pelas seleções participantes, até vibrando com alguns dos 145 gols marcados, pesou a falta do bom e velho futebol nosso de cada dia. A Copa de 2010 foi bem ruim e, além de recordista dos placares magros, escapou por pouco, muito pouco, de ser a pior de todas.

Num país orgulhoso dos bilhões de dólares gastos para levar aos olhos do mundo a sua versão da cidade do futebol, vimos seus pobres e miseráveis confinados numa outra cidade, de lata, removidos para não envergonharem a nação sul-africana. Lá hoje não existem mais heróis, pois eles estavam nas tribunas de honra ou nos bancos de reservas, cansados e vencidos pelo tempo. Dentro dos belos e modernos estádios, ali nos gramados precocemente destruídos, arbitragens desastrosas e bolas vilãs, as imprevisíveis Jabulanis, roubaram as cenas e se sobressaíram à falta de talento em campo, embaladas na trilha sonora das insuportáveis vuvuzelas.

Em eventos desse porte, as surpresas sempre dão o ar da graça. Cômicas e tristes, como o fiasco da velha Itália, o desempenho pífio da Inglaterra e a Argentina saindo de quatro, momento em que os deuses do futebol nos salvaram da ameaça de ver Maradona nu. A degradada França, pelo (des)conjunto da obra, não vale sequer os comentários. A seleção brasileira nos trouxe mais uma frustração mas, convenhamos, não chegou a ser nenhuma surpresa. Sabemos que sem talento algum, fomos até longe demais.

Foi uma final inédita, merecida por ambos, mas que nos ofereceu pouco futebol e muita pancada, a ponto do Felipe Mello parecer um santo! A Espanha, sem brilhar, jogou melhor em uma das piores copas da história e foi, com justiça, a campeã. E que o povo espanhol comemore como nunca.

Ao som de “Waka Waka”, esta foi a copa de Forlán, Müeller, Villa e Sneijder. Mais do que Messi, Kaká, Rooney ou Cristiano Ronaldo, a grande estrela foi o polvo alemão Paul, o octópode advinho. Acertando todas as previsões, fez mais sucesso que as musas da copa, a espanhola Sara Carbonero e a paraguaia, aparentemente não falsificada, Larissa Riquelme.

Por isso mesmo, o polvo profeta foi alvo de imitações das mais variadas. Periquitos, pandas, camelos, girafas, crocodilos, hamsters e até formigas, todos com dotes de vidência e advinhação, compuseram a Arca de Noé desta copa.

Só o Brasil, que nada havia contribuído para a competição, também pouco acrescentou à bicharada vidente. Nós entramos nessa zôo-estória apenas com um asno, que afora os coices distribuídos em tempo integral, errou os resultados da seleção canarinho. Aliás, errou também, a escalação, o relacionamento com a imprensa e a convivência com os torcedores. Prá ser sincero, veio errando tudo, a começar do dia da convocação.

Nem polvo, nem asno. Que em 2014 a vedete da copa seja outra. É só esperar e ver que bicho vai dar!

Tavinho Caúmo

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