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Archive for junho \05\UTC 2010

Salvem também a cerveja!

Em meio a todos os alertas e relatórios sobre o aquecimento global, as mudanças climáticas resultantes dele e seus reflexos na vida de todos nós, quase me passou despercebida outra notícia, também nada boa.

Segundo o jornal londrino “Financial Times”, o aquecimento global pode fazer subir, e bastante, nada menos que o preço da cerveja! Vocês já pensaram nisso? Logo imaginei que seria devido ao aumento da procura pela loura gelada, gerado pela elevação da temperatura mundo afora ou, ainda, pelo aumento das tarifas da energia consumida para mantê-la na temperatura ideal. Embora isso também possa ocorrer, o alerta não foi em função de nada disso. A verdade não é tão simples assim.

O que vem ocorrendo é que muitos agricultores, especialmente na Europa, estão trocando suas plantações de cevada por milho, canola ou soja, grãos com elevado potencial energético, ideais para gerar o tão cobiçado biocombustível.

Então, apreciadores da cerveja nossa de cada dia, uni-vos e vamos todos ajudar a frear o aquecimento global. Já! Mas o que, cada um de nós, cervejeiros ou não, pode fazer?

Informe-se das causas e conseqüências das mudanças climáticas e divulgue o tema junto ao maior número possível de pessoas; economize energia e torne-se um consumidor eficiente, substituindo as lâmpadas incandescentes, apagando luzes e desligando equipamentos e aparelhos que não estejam sendo usados. Adquira aparelhos domésticos que consumam menos energia elétrica; dê uma folga para o seu carro, substituindo-o, em pequenas distâncias, pela caminhada ou pela bicicleta, ou pelo transporte coletivo, quando necessário; use de modo responsável o abastecimento de água, evitando o desperdício; reutilize e recicle o quanto puder, gerando menos lixo.

 Procure divulgar, apoiar e participar de ações que promovam o combate ao desmatamento; compre apenas móveis feitos com madeira certificada; cobre que governo e empresas invistam em alternativas de geração de energia e que sejam utilizadas apenas as fontes de energia limpas e renováveis; pressione o poder público da sua cidade a aderir a programas e projetos de combate à emissão de gases de efeito estufa (dióxido de carbono, metano e óxido nitroso) e exija que o seu prefeito participe do programa “Cidade Amiga da Amazônia”, de iniciativa do Greenpeace, e elimine a compra e o uso em sua cidade, de toda a madeira explorada de forma criminosa e predatória.

Parece muito, mas não é. São coisas simples que irão fazer com que cada um de nós deixe de ser parte do problema e passe a fazer parte da solução. Vamos ajudar nosso planeta a sobreviver e aí comemorarmos o futuro. E que os cervejeiros de plantão possam brindar esse sucesso, com a sua bebida preferida. E na temperatura ideal!

Saúde!

Tavinho Caúmo

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Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 07 de junho de 2007.  

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Abaixo o Pum da Vaca!

Há poucos meses, um estudo publicado pela FAO – Food and Agriculture Organization, órgão das Nações Unidas voltado para a alimentação e a agricultura, assegurou que os bovinos estão entre os maiores responsáveis pela emissão de gases causadores do aquecimento global. O relatório intitulado “A Grande Sombra da Pecuária” afirma que ela gera mais gases de efeito estufa do que o setor de transportes com sua incessante queima de combustíveis.  A pecuária virou o vilão da vez, já que além de ameaçar o meio ambiente, ela é ainda uma das principais causas de degradação do solo e dos recursos hídricos. Isso tudo, sem mencionar o já conhecido encolhimento de florestas, com a respectiva perda de biodiversidade, para ampliar as áreas de criação e de pastagem. Não acredita? É só dar uma espiada na Amazônia.

Pois bem, segundo as mais de 400 páginas do estudo, os gases emitidos pelos excrementos e flatulências, pelo desmatamento para a formação de pastos e na geração de energia consumida para a administração da atividade pecuária, juntos respondem por – pasmem! – 18% dos gases de efeito estufa emitidos anualmente no mundo todo. E mais, quase 40% das emissões de metano (CH4) vêm da pecuária bovina. Lembremo-nos que o metano é cerca de 21 vezes mais prejudicial que o famoso dióxido de carbono (CO2).

Tudo indica que o setor precisará tomar medidas urgentes, uma vez que a produção mundial de carne, hoje na casa das 230 milhões de toneladas, deverá dobrar dentro dos próximos 40 anos. Já que a produção de metano advinda do digestório do ruminante, varia rigorosamente de acordo com a alimentação recebida, uma das geniais recomendações para amenizar o problema não poderia ser outra: a substancial melhoria da dieta de modo a reduzir a fermentação e a flatulência.

Eu acredito que deveríamos ir bem além. Poderíamos convocar, sem demora, uma CPI para investigar a produção do hediondo esterco e flatulências em geral: a CPI do Pum. Ambientalistas de última hora entrariam com uma liminar impedindo o gado de consumir chuchu, jerimum, abacate e feijão-verde. Patê de mortadela ou Amendocrem então, nem pensar! Seria crime ambiental e inafiançável! Aí, nutricionistas de portas de academias poderiam elaborar um cardápio ecologicamente correto, à base de papinha de aveia e barrinha de cereais, daquelas do (des)serviço de bordo da GOL.

Meu grande receio é de que, se resolvida a questão, ninguém saiba explicar os atrasos e cancelamentos das flatulências bovinas. Como nós todos sabemos, nessas horas aéreas, ninguém sabe de nada. Pensei ainda no pior: um aumento significativo no custo dessa pensão alimentícia, mais superfaturada que merenda escolar, que faria o preço da carne, filé ou não, ir para o espaço de vez. Depois do infame aumento da cerveja, nos poupem: ninguém merece isso!

Nesse cenário, só o que nos resta a fazer é lançar um manifesto nacional, agendar uma grande caminhada e, antes que alguma Excelência maluquete, mais louca que a vaca, nos mande relaxar e gozar, gritarmos em protesto, a plenos pulmões:

“Abaixo o pum da vaca!”.

Tavinho Caúmo

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Publicado no jornal “Correio da Paraíba”, em 08 de setembro de 2007.

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